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sábado, 25 de outubro de 2014

(Entrevista) Autora Ana Lúcia Merege

Oi Pessoal.




A entrevista especial pelo niver do blog de hoje é com a autora Ana Lúcia Merege:







1- Se apresente para nós. Diga nome, idade, se é casada, se tem filhos – humanos e/ou animal – e como as pessoas a veem.

Sou Ana Lúcia Merege, aquariana, nasci no ano em que o homem chegou à Lua. Sou casada há 21 anos com o João, analista de sistemas e filósofo, e temos uma filha de 13, a Luciana. Acho que as pessoas me veem como alguém bastante zen – na verdade sou um bocado ansiosa -, inteligente e generosa, mas meio desligada. 




2- Defina a história do livro O Castelo da Águias:

É a história de Anna, uma jovem que vai trabalhar numa Escola de Magia (bem diferente de Hogwarts) como Mestra de Sagas, uma espécie de professora de História, Mitologia e Literatura – nesse universo essas coisas andam juntas. Ela se apaixona por um mago, Kieran, e juntos eles lidam com uma situação que envolve as águias douradas da região. Então é um romance que mistura magia, aventura e tem uma mensagem ecológica, de certa forma.




3- Por que você escolheu a águia como símbolo?

As águias têm a ver com a nobreza, com o sol, com a visão privilegiada. A águia também era um símbolo de Roma, que se destacou pelo poderio bélico, e nesse livro elas são usadas pelos magos que trabalham para o exército. Kieran, o protagonista masculino, fazia isso, e agora está do lado das águias, quer que elas sejam livres – e ele mesmo tem as qualidades nobres de uma águia, de certa forma ela seria seu totem. Então são vários significados.



4- Qual foi o personagem que demorou mais tempo para ganhar vida? Você tem algum preferido?

Kieran foi o personagem que mais se transformou, originalmente ele era um guarda-caça e não um mago. Anna se transformou no sentido de ter amadurecido ao longo desse livro e continuar a fazê-lo nos próximos. Gosto dos dois, mas, entre os secundários, tenho muito carinho por um aprendiz chamado Lear, uma chamada Freydis e um amigo de Kieran, o mestre de combate Doron de Scyllix, que estará de volta no terceiro livro da série.




Kieran de Scyllix é retratado aqui no traço de Allana Dilene.



Andi, Freydis e Orm desenhados por Angela Takagui.


5- Agora nos fale um pouco sobre A Ilha dos Ossos:

É o segundo livro da série, em que Anna desaparece durante uma viagem e Kieran segue sua pista no Oeste de Athelgard (o universo em que eles vivem). Ele enfrenta vampiros, piratas, convive com gente do povo, religiosos, saltimbancos... e não vou dar spoiler, mas o livro está bem legal. Ele é narrado pelo Kieran (o Castelo foi narrado por Anna) e assim o leitor tem uma perspectiva diferente tanto das coisas que ele encontra quanto do relacionamento dos dois.




6- Quantos livros você já publicou? Qual deles é o seu xodó?

Sem contar as novelas em e-book, participações em coletânea etc, publiquei cinco: além de A Ilha dos Ossos e O Castelo das Águias, os romances de fantasia para jovens O Caçador (Franco Editora) e Pão e Arte (Escrita Fina) e o livro didático Os Contos de Fadas: origem, história e permanência no mundo moderno (Claridade). Não tenho xodó, como pode uma mãe dizer qual é o filho preferido? 

O Caçadorpão e arteOs Contos de Fadas



7- Qual a mensagem que você quis transmitir para o leitor?

Cada livro traz suas lições, mas sempre no sentido de respeitar o outro, de trabalhar para o coletivo respeitando as diferenças e a liberdade individual, de amar com desapego e tolerância. Sempre valorizo o ato de contar e partilhar histórias como forma de crescimento e superação e o fato de que as palavras são melhores do que qualquer arma para vencer uma disputa. E sempre, mesmo nas histórias que envolvem guerras e guerreiros, deixo claro que, para mim, ser feliz é a melhor vingança.

Não existe melhor vingança que esta. 

  

8- Se pudesse escolher em qual "tribo" da história gostaria de pertencer? Por que?

Queria ser uma elfa da Floresta dos Teixos. São uma comunidade muito unida, feliz, que preserva seu modo de vida, mas, ao mesmo tempo, está aberta a visitantes, a influências, a outros pontos de vista. A Anna teve muita sorte por crescer lá. 


Ilustração de Angela Takagui representando Kyara e Raymond, os avós de Anna de Bryke.




9- Cite 10 livros de autores nacionais cujas histórias lhe trouxeram alguma lição:

Você perguntou por lições, então vou citar aqueles que me fizeram refletir e aproveitar algo para minha vida, independente de eu os achar bem escritos ou não. Vamos lá: “O Homem que calculava”, “Céu de Allah” e “Iazul”, de Malba Tahan; 
“Ana Terra”, de Érico Veríssimo; 
“A chave do tamanho”, de Monteiro Lobato; 
“Água viva”, de Clarice Lispector; 
“O alquimista”, de Paulo Coelho; 
“O centauro no jardim”, de Moacyr Scliar; 
“As batalhas do castelo”, de Domingos Pellegrini; 
e “Professora maluquinha”, do Ziraldo. 
Esse último tem tudo a ver com a Anna do Castelo das Águias e com a atitude que ela toma depois de um conflito na escola, uma cena pela qual eu fui muito criticada por uns e elogiada por outros. 




10- Algum personagem foi criado inspirado em um conhecido seu?

Foi – a Anna é meu alter ego e o Urien, mestre de música, foi inspirado no meu irmão mais velho. Só que ele não sabe. ;)

Tomara que agora ele tenha ficado feliz ao saber kkkkk



11- Escolha o elenco para transformar sua história num filme:

Eu passo. 



12- O que falta para mudar a pesquisa que diz que o brasileiro lê pouco?

Falta mediação por parte de professores que gostem de ler e realmente motivem os alunos; falta uma educação para a leitura continuada, que não cesse quando a criança passa para o quinto ano, como vemos hoje; faltam bibliotecas públicas bem aparelhadas; falta as famílias valorizarem mais a leitura, levarem os filhos a bibliotecas e livrarias, comprarem livros (não venham me dizer que são caros; há livros baratos, e há gente que compra para o filho as engenhocas eletrônicas mais sofisticadas e depois chora porque o professor pediu para ler um livro de 30 reais, mais barato que um ingresso de cinema). Enfim, falta uma série de ações em vários campos, em vários níveis, mas acho que o quadro tende a melhorar nos próximos anos. Pelo menos espero! 

Eu também espero.



13- Qual a melhor herança que uma mãe ou um pai pode deixar para o filho?

Princípios, ética, educação e a capacidade de erguer os olhos além do próprio umbigo.

Esta é a herança que realmente vale ouro.



14- Você projeta o seu futuro ou deixa as coisas acontecerem?

Eu tenho planos e objetivos e trabalho para eles, mas deixo espaço para o imprevisto e não dou murro em ponta de faca. Parte da sabedoria é reconhecer quando uma porta se abre, ainda que num momento ou local inesperado, e aproveitar as chances que aparecem.

Esperar o inesperado. Eis a melhor forma de viver.



15- Deixe uma mensagem para os leitores:

Busquem a felicidade nas pequenas coisas, o prazer no dia-a-dia, o amor e a amizade em quem está ao seu lado. Toda vida pode conter Magia, basta que se saiba reconhecê-la. 


Estas são a base para a plenitude. Valorizar a si mesmo e quem amamos mas sem idolatria. Sendo e fazendo o outro feliz.



***



Espero que tenham gostado da entrevista. Conhecer um pouco da Ana e sua essência como pessoa nos mostrou o quanto ela é uma guerreira.

E quem não conhece suas histórias depois da definição que a Ana deu para a mensagem que pretende passar para o leitor deve ir até a livraria mais próxima e adquirir um exemplar.

Deixe essas lições serem absorvidas por sua alma e traga esta felicidade para o seu coração.



Um leve bater de asas *O:-) anjinho  *O:-) anjinho  para todos!!!!

Khrys Anjos

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